Chegara a hora de dormir, a hora mais temida, era justo nessa hora em que tudo vinha à tona. A solidão, as angustias, o nó na garganta e a dor.
Nunca fora de adormecer facilmente, isso que piorava tudo, pois quanto mais enrolava na cama, mais esses pensamentos que tanto evitava vinham e as primeiras lágrimas começavam a brotar em seus olhos, rolar por seu rosto e ensopar seu travesseiro, como sempre. Após isso era mais difícil ainda parar de chorar. Um assunto levava ao outro, tudo o que desejava falar parecia que entalava na garganta, sentindo uma dor tremenda.
Um bolo parecia formar dentro de si e sentia como se estivesse acabado de engolir pregos que rasgavam sua garganta. A dor descia para o peito, a aflição dentro dela aumentava. O travesseiro ensopado, o nó na garganta, tudo parecia piorar conforme o tempo ia passando, não aguentava, estava ficando louca.
Quantas vezes parou e pensou que deveria contar isso a alguém, mas ninguém nunca a dera ouvidos, todos preocupados demais com suas vidinhas bizarras, e mesmo que se alguém quisesse a ouvir não entenderia, ninguém nunca entenderia o que sentia em suas noites mal dormidas regadas de choros, soluços e dor.
Precisava subir ao alto de uma montanha e gritar, até ficar sem forças, tudo o que a deixara assim e ficar lá esperando alguma resposta do vento, esperando decidir o que faria de sua vida.
Tinha uma solução simples para tudo isso: fugir, ir para outro país, mudar de nome e começar uma vida nova por lá, porém não seria tão covarde a ponto de fazer isto. Tinha que ser forte e encarar isto de cabeça erguida, o que até agora, não conseguira.

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